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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A NOSSA PRIMEIRA VOCAÇÃO É A SANTIDADE -Escrito por Jefferson Castro

No meio juvenil cristão um tema é muito recorrente, a santidade. Com a crescente divulgação de santos e beatos, tais como: Domingos Sávio, Laura Vicuña, Chiara Luce, Alberto Marveli, Carlo Acutis, entre tantos outros, a juventude percebe que é possível alcançar tal estado de graça. Contudo, o que ainda muito se questiona no meio deles é como chegar a esse estilo de vida.
Desde o princípio dos tempos, nosso Criador nos fez para assemelharmo-nos a Ele em tudo, inclusive no estado de santidade. “Sede santos como vosso Pai que está no céu é santo”. No entanto, com a desobediência de nossos primeiros pais, nos afastamos desse projeto de amor, que foi elaborado para cada um de nós. Em uma atitude de total benevolência, Ele recuperava a nossa dignidade de seus filhos por meio de seu único Filho. Com isso, continua a nos apelar a retornarmos à nossa real natureza, a santidade.

Os santos no antigo testamento

Em toda a história da salvação, Deus suscitou seu Espírito em muitos homens e mulheres, tais como: Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Davi, Ester, Judite, dentre muitos outros que, dóceis à Vontade do Senhor, lutaram contra as suas tendências ao pecado, a fim de se assemelharem ao máximo com seu Criador. Quando os israelitas consideravam um homem ou uma mulher com a dignidade de santos, chamavam-nos de justo, que era a forma de designar o estado de graça da sua vida, ao que, em outras palavras, era santo.
Os patriarcas, como assim também são conhecidos, foram pessoas firmes em seu chamado e confiantes em Deus. Foram pessoas que se entregaram incondicionalmente ao Senhor, sem medir esforços para atender à sua vocação. Pessoas que na fé deram grandes lições, a ponto de até sacrificar o próprio filho, se assim fosse a vontade Deus, de abandonar as suas terras onde estavam estabelecidas para ir até uma que desconheciam, capazes de enfrentar reis e poderosos a fim de profetizar, denunciar e anunciar, em nome de Deus. Pessoas que, ao seu modo, interpretaram a vontade de Deus e viveram de maneira real a sua vocação.
 
A santidade no modelo de vida de Cristo

Fechando o ciclo dos patriarcas e profetas, Deus envia para a terra o seu filho único, aquele que iria novamente estabelecer a relação de amizade que outrora tínhamos com Deus no Éden. Na sua passagem na terra, Jesus revelou a plenitude do ser humano, veio nos mostrar como deveríamos ser na visão criadora de Deus. Como um novo Adão, Cristo veio nos ensinar como poderemos atingir a plenitude da graça à qual fomos destinados. Veio nos tirar do cativeiro da morte e nos levar à luz da eterna graça. Imitando o mestre, muitos O seguiram e tentaram trilhar o caminho de perfeição proposto por Ele, vivendo heroicamente as virtudes teologais da fé, esperança e caridade.
Na Idade Média, se idealizou que a única forma de ser santo era sendo religiosos ou eclesiásticos, pois poderiam viver plenamente os ensinamentos de Cristo, como os seus discípulos assim o fizeram, mas com os avanços e com o esclarecimento do paráclito, aquele que o Senhor enviou no Pentecostes, a Igreja afirmou que todo cristão é primeiramente chamado a viver a santidade.

Santidade juvenil e salesiana
Ao propor um programa de vida onde facilitasse o acesso dos jovens ao mundo que até então era dedicado exclusivamente aos grandes místicos e religiosos, Dom Bosco foi um grande mestre, e praticamente criou uma escola de santos jovens que, vivendo plenamente o seu batismo, encontraram o sentido de suas vidas no primado do Absoluto, que é Deus em primeiro lugar. O pai dos jovens ensinava para seus meninos que a santidade consistia na alegria, e a alegria salesiana é a satisfação do dever bem cumprido. É tornar o ordinário extraordinário, é, como dizia Mazzarello, fazer da vida um ato de amor a Deus. É reestabelecer a relação de amizade, de amor com Deus. E isso fez e faz muitos jovens, adolescentes e crianças que, buscando viver somente para Deus, se tornam realmente pequenos como nos pede Jesus no Evangelho. É ser totalmente desapegado de tudo e simplesmente confiar em Deus. E nisso, podemos traduzir na célebre frase de Santa Terezinha do Menino Jesus: “perceber que nossa vida é um brevíssimo segundo e que para amar a Deus não tenho nada mais que hoje.” É como nos diz nosso Santo papa João Paulo II: “ser santos de calça jeans.” É ser vida profética e anunciadora da Boa Nova em meio ao Povo de Deus.

Jefferson Castro, pré-noviço da Inspetoria Salesiana do Nordeste do Brasil residindo atualmente na Colônia Salesiana, Jaboatão dos Guararapes-PE

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

CONSELHO AOS PAIS

CONSELHO AOS PAIS

25/05/09

Já na sua infância, desde cedo, não dê à ele tudo o que quiser, assim quando ele crescer, não ficará a espera que o mundo lhe dê o que deseja; Não ache graça de seu palavreado chulo e grosseiro; Inicie-o nos caminhos de uma educação religiosa, sem fanatismo, que não pregue a divisão e sim, a união do povo de Deus; Não apanhe tudo que ele deixar jogado: livros, brinquedos, sapatos, roupas e ... Habitue-o a guardar todos os seus pertences; Não faça tudo para ele. Ensine-o a fazer de tudo, a fim de que não seja um eterno dependente dos outros; Evite, a todo custo, discutir com freqüência na presença dele; Não o defenda, intransigentemente, contra seus professores. Apure os fatos com calma. Lembre-se que os professores são seus parceiros e não seus inimigos; Não tente dominá-lo querendo que ele seja a sua cópia, mas tente sempre persuadi-lo através de um diálogo sincero e amigo. Respeite sua personalidade; Finalmente, prepare-se para no futuro ter somente orgulho e alegria de ter realmente, criado um filho com dignidade; Lembre-se: se fizeres o contrário disto, corre o risco de uma vida futura cheia de angústias, decepções e lágrimas de dor. (Texto adaptado pelo Professor Francisco Jaegge)

LIMITES NA EDUCAÇÃO - Fábio Henrique Prado de Toledo

LIMITES NA EDUCAÇÃO - Fábio Henrique Prado de Toledo

Limites na educação

Fábio Henrique Prado de Toledo

Algum tempo atrás manifestei nesta coluna certa perplexidade com o Projeto de Lei n. 2.654/2003, com o que se pretendia proibir qualquer forma de punição corporal a crianças e adolescentes. Como disse naquela oportunidade, o assunto merece ser melhor refletido.

Penso que as “palmadas” nas crianças não são mesmo um recurso educativo a ser utilizado a todo momento. Mais ainda, conheço vários pais que conseguiram educar muito bem sem jamais ter sequer levantado a mão contra os filhos. Aliás, se analisarmos bem, muitas das vezes que se bate numa criança, faz-se porque o pai ou a mãe estão nervosos com outro assunto que os afligem e a travessura foi apenas o estopim. Outras vezes, quase sempre, bate-se porque não se tem paciência para explicar o porquê de não poder ela fazer algo, dando os motivos pelos quais sua conduta não é adequada e, sobretudo, expondo as boas razões para se proceder corretamente.

O problema de leis radicais como essa são as más interpretações que podem causar. Estou certo de que, tão-logo aprovada, não tardará em surgir nas escolas e nas famílias uma falsa concepção do tipo: não se pode fazer nada com o garoto que não obedece, pois do contrário pode ser “processado”. Ou, pior ainda, as próprias crianças poderão incorporar o falso conceito e se levantarem contra os educadores, pais e professores, numa arredia desobediência a qualquer tipo de ordem com o petulante argumento: “não pode fazer nada comigo, sou menor”.

Não há educação sem limites. Já relatei a história de um garoto que, durante uma viagem com os colegas de escola para um acampamento, se queixava com o professor de que seus pais não lhe davam liberdade, que dependia da autorização deles para quase tudo. Esse bom professor deu ao aluno uma brilhante lição, que merece ser contada novamente:

“Seus pais não permitem que você faça tudo o que quer porque o amam. Veja esse pequeno riacho, em sua nascente, uma margem é bem próxima da outra. É o que ocorre com uma criança pequena, de tudo dependem dos pais. O riacho, conforme vai avançando, as suas margens vão ficando cada vez mais distantes, até que deságüe no mar, onde não há mais margens. Assim deveriam os pais fazer com os filhos. A autoridade dos pais é a margem dos rios que permite que cheguem ao destino.

Quanto maior o rio, mais distantes as margens, quanto maior e mais responsável o filho, maior pode ser a sua autonomia. E veja, que bom que é a margem, imagine o que seria do rio sem ela? Veja aquela parte do rio em que a margem é menos resistente, parte da água caiu para fora e apodrece à beira do rio, não chegará ao mar. Assim acontece com os filhos que possuem pais fracos, que não desempenham a obrigação de exercer a autoridade: deixam seus filhos perdidos nas ribanceiras do mundo, não chegam ao mar".

Soube também do drama de uma adolescente que talvez ilustre o desastre que é a educação sem limites. Trata-se de uma jovem de quatorze anos que estava deprimida e resolveu fazer um tratamento psicológico. Depois de algumas sessões, ela acabou por deixar de escapar algo, aparentemente sem importância, mas que revelava a causa de sua “depressão”.

Disse ela: “quando as minhas amigas me convidam para algum passeio que eu não quero, gosto muito de dizer que meus pais não deixaram. É a desculpa que mais me agrada”. “Você sabe por que isso lhe agrada?”, perguntou o psicólogo. “Na verdade não sei”, prosseguiu ela, “os pais de minhas amigas sempre as proíbem de fazer algo que elas verdadeiramente gostariam, mas eles também conversam com elas, fazem programas juntos, penso que elas ganham um beijo dos pais antes de irem dormir...”. Ela não contém as lágrimas que escorrem, e depois conclui: “meus pais me deixam fazer tudo o que eu quero porque não gostam de mim. Fazem isso para que eu não os incomode, então eu costumo dizer a minhas amigas que me proíbem de fazer alguma coisa para que não percebam que meus pais não me amam”.

Comprometedor esse relato, não? É hora, pois, de levá-lo mais a sério.

Fábio Henrique Prado de Toledo é Juiz de Direito em Campinas. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Articulista do Correio Popular de Campinas e de alguns outros jornais. Casado, pai de 8 filhos e Membro do Conselho de Administração do Colégio Nautas.

e-mail: fabiotoledo@apamagis.com.br

Publicado no Portal da Família em 22/06/2010